como fotografar desconhecidos em suas viagens
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5. SAÚDA NO DIALETO LOCAL. APRENDA ALGUMAS PALAVRAS, VESTE-SE ADEQUADAMENTE

Aproxime-se da cultura. A primeira impressão é importantíssima. Costuma começar pela vestimenta –todos classificamos os outros pelo aspecto físico – para seguir com o olhar e, por fim, as palavras. Nada gera mais simpatia do que a de um estrangeiro fazendo esforços para falar a língua local. E se a língua é um dialeto, é de uma tribo Mursi, na Etiópia, e pouco conhecido… O triunfo é garantido!

Monges, iniciando a sua comida. Yangoon. Birmânia

Monges, iniciando a sua comida. Yangoon. Birmânia© Harry Fisch

6. A MAGIA E A SURPRESA: A LINGUAGEM UNIVERSAL

Nunca perca a oportunidade de surpreender o estranho. Há alguns anos, em Rangoon (Yangon, Myanmar) ocorreu-me fazer uma pausa matinal em direção a um grupo de templos que se viam desde o hotel. As cinco da manhã, ainda não era de manhã. A câmera de fotos na mão direita. Com as primeiras luzes me encontro na entrada de um mosteiro budista, e a porta aberta de par em par, uma freira, crânio rasurado me olha, sorri e, com um movimento de cabeça, convida-me a entrar. Na penumbra eu vou atrás dela por intermináveis corredores finalmente chegando a uma sala em que eu vejo, sentado de cócoras para o alto de um poyete, a quem deveria ser o monge principal do mosteiro. O café da manhã, que não tinha começado, estava servido sobre uma grande caixa no próprio chão da sala.

O religioso não parecia muito contente com a minha inesperada presença: cara de poucos amigos, olhar censor raiva dirigida à freira que me acompanhava. Silêncio desconfortável enquanto cruzamos os olhares. Não falam a minha língua, nem eu o seu. Eu olho fixamente para o monge, tendo a câmara fotográfica a monja que estava a minha direita e eu corro até ele, sem deixar de miralo os olhos. Enquanto o faço, eu subo com grandes gestos, as mangas da camisa. Ao chegar a um passo de distância, echo mão ao bolso para tirar uma moeda que mostro com arte.

O monge acrescenta surpresa para a cara de raiva. Não compreende o que pretendo e está convencido de que o intruso, muttley e desconsideração turista, lhe oferecendo –quase ofendendo – o com uma ridícula esmola em sua própria casa. Levanto para o céu a mão para atrair a atenção sobre a moeda e, desfrutando do estupor que produz o gesto, a guio para a boca…o Tragándomela! Se olham surpresos. Deixou passar alguns segundos enquanto viajo nos maxilares aparatosamente em gesto de dificuldade para mascarla.

Nova pausa, ao tempo em que exagero, o riso da deglutição. Estou me divertindo, conhecendo de antemão o final do ato: eu levo a mão ao nariz e a situação até conseguir –aparentemente – que a moeda que tinha me engolido saia por ela. Surpresa. O rosto do monge já não reflete raiva. Com as duas mãos se abala fortemente a cabeça e… quebre a risotadas, alborozado como uma criança pequena!

A partir desse momento se produziu a transformação. Passei a ser um incômodo estranho ao amigo que trazia um presente, o bom humor e a surpresa. O reitor dedicou-se a mim em exclusivo, durante a hora seguinte, despertando os monges em seus quartos e incentivando-os a posar para mim.

Aprenda algumas palavras em locais

Aprenda algumas palavras em locais, interage com a realidade© Harry Fisch

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